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Super Auto n° 5 - junho de 1988

 

Reportagem: Fernando Baldijão

 

 

Deu Passat na cabeça!

 

Pelos comentários que os pilotos faziam toda vez que desciam de um carro para avaliar o outro, já se delineava a preferência pelo Passat. Mas sua vitória não foi fácil. Gol e Monza, empatados em segundo, chegaram colados no vencedor. Veja a seguir, como transcorreu essa difícil competição

 

Super Auto entregou os cinco esportivos produzidos por nossas grandes montadoras à apreciação de cinco pilotos de competição. Eles andaram em todos os carros e depois, fizeram uma análise subjetiva de cada um dos automóveis, comentando seu comportamento em curvas, retas, durante frenagens, nas acelerações e retomadas. Além disso, falaram sobre a posição de dirigir, conforto e acabamento dos cinco automóveis, antes de dar notas para vários itens dos carros.

 

O resultado, de certa forma, não foi surpresa: deu Passat na cabeça, com Gol e Monza empatados em segundo lugar, depois Escort e Fiat. O que surpreendeu, na verdade, foi a diferença mínima que separou os primeiros colocados e o empate que ocorreu entre Gol e Monza.

 

 

Os pilotos escolhidos por Super Auto para avaliar nossos esportivos foram: Fábio Sotto Mayor, José David, Jindra Nicolau Kraucher, Renato Russo e Roberto Manzini.

 

 

A nota final de cada carro, segundo o voto dos pilotos

Escort XR3 Uno 1.5R Gol GTS Monza SR 2.0 Passat Pointer
7,1 6,8 8,3 8,3 8,4

 

 

O Gol, mais perto dos importados

 

Fábio Sotto Mayor diz que o Gol melhorou muito em acabamento interno e que hoje ele é o esportivo que está mais perto dos automóveis estrangeiros dessa categoria. O piloto considera o Gol “um carro de bom conjunto e de estilo bonito.” Também elogia seus freios e o comportamento em curvas de qualquer tipo: “ele contorna as curvas muito bem, sempre mantém a trajetória que você determina. Sua suspensão está dimensionada na medida exata para um uso normal, em ruas e estradas.”

 

Para Fábio, o carro que mais chega perto do Gol, em conjunto, com exceção do motor “ultrapassado” é o Escort.

 

Já o Monza “é bom de velocidade final, tem câmbio longo mas o freio deixa a desejar. Deve ser problema de ventilação. Nas curvas de baixa velocidade – continua o piloto -, ele é ruim, mas nas de altra é muito bom. De qualquer forma, sua direção hidráulica devia ser progressiva.”

 

Apesar de ter dado a segunda melhor nota ao Passat, Fábio não poupa o carro: “ele é um esportivo disfarçado, um automóvel superado. O motor é bom, igual ao do Gol, mas nas curvas, de alta ou de baixa, ele vem muito de traseira. Seu entre-eixos é muito grande, é um carro pesado. De reta ele anda bem. O Fiat é outro que é bom em reta. Chega a uma velocidade final igual ao Monza, embora tenha uma cilindrada menor por causa da aerodinâmica, seu ponto alto.”

 

“O melhor deles em freio é o Escort, mas em compensação, dos cinco é o que corre menos. Na realidade, nenhum dos nossos esportivos tem freio à altura da velocidade que anda. O Uno italiano vem com freio a disco nas quatro rodas e sua velocidade final é igual à do brasileiro”- conclui Fábio, alertando que “o Brasil precisa desenvolver freio a disco nas quatro rodas para equipar seus esportivos.”

 

As notas de Fábio Sotto Mayor

  Escort XR3 Uno 1.5R Gol GTS Monza SR 2.0 Passat Pointer
Motor 4,0 7,0 8,0 7,0 8,0
Câmbio 6,0 6,0 8,0 7,0 7,0
Desempenho 4,0 6,0 8,0 7,0 7,0
Freio 8,0 7,0 7,0 5,0 6,0
Acabamento 8,0 8,0 7,0 7,0 7,0
Conforto 8,0 7,0 7,0 8,0 7,0
Média 6,3 6,8 7,5 6,8 7,0

  

 

Monza: a dose certa de luxo e esportividade

 

“Dos cinco carros que experimentei hoje – diz Jindra – o Monza é o que melhor reúne esportividade com luxo. Tem um painel com os instrumentos necessários, o melhor acabamento e conforto. Seu motor é muito bom, mereceu minha maior nota. Mas acho que o freio deveria ter uma ação mais forte.”

 

Quanto a estabilidade em curvas, Jindra lembra que o Monza tem dois tipos de comportamento: “nas curvas de alta velocidade ele é muito bom, a gente desenha o traçado como quer; mas nas de baixa, o carro deixa a desejar, a carroceria dobra muito!”

 

Segundo o piloto, o Escort é um carro de bom acabamento que peca pelo motor, “fraco demais para o conjunto que tem. Ele tem boa estabilidade nas curvas, mas se desequilibra durante as freadas.” Jindra condena, também, os engates de marcha, “muito ruins, por causa do trambulador mole.”

 

“Já o Gol e Passat têm um conjunto muito bom: é boa a resposta do motor, a estabilidade,  o acabamento, a posição de dirigir e os engates são excelentes.”

 

Para Jindra, os dois carros se parecem muito, mas o Passat leva algumas vantagens, como acabamento e contorno de curva: “ele consegue fazer o traçado mais redondo. Com o Gol, a gente precisa trabalhar um pouco a direção.”

 

“Nesse aspecto, o Fiat é o que dá mais canseira. Ele sai muito de frente, a gente tem de tocar provocando o carro. Não dá para guiar redondo. Por outro lado, seus freios são bons e os engates estão melhores do que no Escort”, finaliza o piloto.

 

As notas de Jindra Nicolau Kraucher

  Escort XR3 Uno 1.5R Gol GTS Monza SR 2.0 Passat Pointer
Motor 5,0 5,0 9,0 10,0 9,0
Câmbio 5,0 7,0 10,0 9,0 10,0
Desempenho 8,0 7,0 9,0 8,0 10,0
Freio 6,0 8,0 9,0 9,0 9,0
Acabamento 8,0 5,0 7,0 10,0 8,0
Conforto 7,0 5,0 8,0 10,0 9,0
Média 6,5 6,2 8,7 9,3 9,2

  

 

O Passat é o mais completo

 

José David diz que o Passat é o melhor, o mais completo dos nossos esportivos. “Ele é rápido e bom de freio” – explica o piloto. Segundo David, o Gol ganha do Passat em aceleração, mas o Passat se porta melhor nas curvas de baixa velocidade, onde o freio tem um “papel muito importante, durante a aproximação da curva e sua tomada”.

 

 

Ainda sobre o Passat, David destaca a posição de dirigir, que considera muito boa: “o piloto tem muitas opções de regulagem do assento e do encosto do banco, um volante de direção bem à mão e uma excelente visibilidade dos instrumentos.”

 

O segundo melhor esportivo, no entender de David é o Gol: “Ele tem os mesmos bons motor e câmbio do Passat, mas é melhor em estabilidade, principalmente nas curvas de alta. Em Interlagos, por exemplo, ele chega no final do retão na frente dos outros, por causa de seu melhor desempenho nas curvas um e dois. Mas quando a gente olha conforto e acabamento, o Gol perde para o seu irmão mais velho, da mesma forma que perde em freios”.

 

“E por falar em freios – continua David -, o melhor é o do Monza. Por isso, ganhou a melhor nota. Durante uma freada, seja ela crítica ou não, o carro da GM é o que se mantém mais estável. Além disso, é um automóvel bom de ser guiado. Numa estrada, a 120 ou 130  km/h, é confortável e dócil”.

 

José David é categórico ao afirmar que ao contrário do Monza, o Fiat é o pior dos cinco esportivos no item freio. “E o mais grave é que seu motor é muito bom de torque. Seu trambulador melhorou bastante, se considerarmos os Fiat dos outros anos. Mas apesar do progresso, os engates de marcha ainda estão longe de se parecer com os dos carros da Volkswagen”. E acrescenta outro ponto negativo no Fiat que guiou: “ele estava saindo muito de frente, acho que por causa de algum problema no alinhamento. Normalmente, isso não acontece com o Fiat. De qualquer forma, o carro como um todo melhorou muito em relação aos modelos anteriores.”

 

Analisando o Escort, David diz que o produto da Ford “é um bom automóvel no conjunto. Tem bons freios, uma estabilidade razoável, mas em certos pontos ele é sofrível. Seu trambulador, por exemplo, é péssimo!”

 

Para o piloto, no item acabamento a briga fica entre Monza, Escort e Passat. Mais para o Monza e o Escort que para o Passat: “é difícil dizer qual dos dois é o melhor. Talvez por serem eles os menos esportivos dos cincos é que procuram se destacar nesse aspecto.”

 

As notas de José David

  Escort XR3 Uno 1.5R Gol GTS Monza SR 2.0 Passat Pointer
Motor 7,0 7,0 9,0 7,0 9,0
Câmbio 5,0 7,0 9,0 7,0 9,0
Desempenho 7,0 8,0 9,0 6,0 8,0
Freio 8,0 5,0 7,0 9,0 8,0
Acabamento 8,0 5,0 6,0 8,0 7,0
Conforto 7,0 5,0 7,0 9,0 8,0
Média 7,0 6,2 7,8 7,7 8,2

  

 

O Gol combina com meu jeito de guiar

 

“Passat e Gol estão disparados na frente dos outros esportivos brasileiros” – diz, categórico, Renato Russo. “Mas entre os dois – continua – eu tenho uma queda maior pelo Gol por causa da estabilidade. Ele combina melhor com meu jeito de guiar.” Entre os pontos positivos do Gol, o piloto destaca, ainda, a aceleração e o acabamento.

 

“Já o Fiat não me fala muito. Ele sai de frente em curvas de alta e é o menos confortável dos cinco carros que guiei. Mas seu motor é muito bom e a aerodinâmica melhor ainda. Por isso, sua velocidade final é tão alta. Deve empatar com a do Monza, que usa aquele motorzão de dois litros.”

 

Sobre o Monza, Russo destaca seu comportamento em curvas de alta: “ele é muito bom. A gente mantém o traçado desejado, sem problemas. Mas nas curvas de baixa velocidade o carro sai de frente.”

 

Em relação ao acabamento e conforto, Russo diz que o Monza é ótimo e é o único que tem volante de direção regulável em altura.

 

“No Escort, dou as melhores notas para acabamento, conforto e freios. Acho muito bom, também, seu motor trabalhando em alta. Quanto a seu comportamento em curvas, observei que nas de alta ele escapa com as quatro rodas enquanto nas de baixa, a tendência é soltar a frente. Quanto a freios, destaco os do Passat, um carro muito bom de conjunto e, como já disse, um páreo duro para o Gol” – conclui Russo.

 

As notas de Renato Russo

  Escort XR3 Uno 1.5R Gol GTS Monza SR 2.0 Passat Pointer
Motor 8,0 9,0 10,0 9,5 10,0
Câmbio 7,5 7,5 9,5 8,0 9,5
Desempenho 8,0 8,0 10,0 9,0 9,5
Freio 9,0 9,0 9,0 9,5 10,0
Acabamento 10,0 9,5 9,5 10,0 9,0
Conforto 9,5 8,0 9,0 10,0 9,0
Média 8,7 8,5 9,5 9,3 9,5

  

 

Com motor 2.000 Escort será insuperável

 

Roberto Manzini começa falando do Escort. Diz que falta desempenho ao automóvel e sugere que “quando ele tiver o motor AP-800 ou 2000 será insuperável.” E desfila uma série de razões em abono a sua tese: “É o mais bonito, tem boa posição para guiar, bons freios e uma suspensão que se comporta bem em qualquer tipo de curva. Mas ele também tem pontos negativos: o motor de pouco desempenho e o trambulador que não se acha as marchas. Foi o pior trambulador que usei. Nesse aspecto, quem melhorou bastante foi o Fiat. Ele tinha o pior engate de marchas do mercado e hoje já passou a perna no Escort, embora ainda perca para os Volkswagen. De motor, o Fiat está gostoso de guiar, é um carro arisco, mas continua com o sério problema de não parar.”

 

Manzini diz que o Fiat oferece uma boa posição para dirigir e lembra que ela poderia ser otimizada se Betim adotasse a regulagem milimétrica do encosto, como fazem as outras fábricas. “Em compensação – diz ele – o carro tem manômetro de óleo, um instrumento que todo esportivo deveria ter.”

 

Antes de falar do conforto e da boa velocidade final do Fiat, “uma conseqüência da aerodinâmica que compensa a pouca potência do seu motor de apenas 1500 cm3”, Manzini reclama que o carro testado saía muito de frente, nas curvas de baixa: “não sei se é um problema só deste carro ou se isso está acontecendo com todos. Nas de alta ele está contornando bem.”

 

Da mesma forma que José David, Manzini também condenou a direção hidráulica do Monza SR 2.0: “é o fim do mundo. Fica difícil guiar numa situação de chuva, em curva de baixa. Com velocidade, você perde a sensibilidade.” Para o piloto, o Monza “é pesadão, mas confortável. Viajar com ele é gostoso, mas eu não o sinto como esportivo. É um carro clássico com desempenho melhorado. Tem câmbio longo, uma vantagem na estrada e, também, baixíssimo nível de ruído, outra característica bastante elogiável. Na média, o Monza acaba ganhando uma nota maior que os outros porque é um carro com bom conjunto.”

 

O Gol – segundo Manzini – é um carro de concepção comum. Sua suspensão não tem nada de inovadora, mas é boa. Ele é soberbo nas curvas de baixa e média velocidade, mas perde ligeiramente para o Passat, nas curvas mais longas.

 

“Se a gente comparar o Gol ao Passat, fica patente que o Gol é mais arisco, mais esportivo, por isso mais gostoso de guiar. O motor, o câmbio, o banco que segura bem o corpo dão essa sensação. “ Manzini faz uma ressalva em relação ao espaço de quem se senta no banco de trás, “onde não existe conforto”.

 

“Mas com o Passat, tudo é diferente – continua -  ele tem os mesmos motor e câmbio do Gol, com a vantagem de mais espaço para as pessoas que viajam no banco de trás e de um porta-malas de razoável tamanho. Em movimento, é um carro menos arisco, mais comportado e que perde para o Gol em curvas de baixa velocidade. Em compensação, tem muito mais conjunto” -  conclui Manzini.

 

 

As notas de Roberto Manzini

  Escort XR3 Uno 1.5R Gol GTS Monza SR 2.0 Passat Pointer
Motor 5,0 6,0 9,0 8,0 9,0
Câmbio 4,0 6,0 9,0 8,0 9,0
Desempenho 6,0 7,0 9,0 8,0 9,0
Freio 9,0 6,0 7,0 8,0 7,0
Acabamento 9,0 7,0 7,0 9,0 7,0
Conforto 9,0 6,0 7,0 9,0 8,0
Média 7,0 6,3 8,0 8,3 8,2

  

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Envio da reportagem: Santana Fährer Club

Colaboração: Reginaldo Santos

 

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