Se você quer ser dono de um dos melhores carros brasileiros - em nossa avaliação e na dos leitores que responderam à nossa recente pesquisa -, não perca tempo: tudo indica que o Passat vai acabar. Só podemos achar lamentável que isso aconteça. Boa parte dos 600 mil donos de Passat no país certamente concorda conosco: na parte da pesquisa que comparava os modelos pequeno-médios (que incluía também Escort, Voyage e Prêmio), os mais satisfeitos com seus carros foram os donos de Passat. Tinham boas razões para isso. Treze anos depois de ter sido lançado aqui, ainda é um dos melhores carros que temos - praticamente em tudo -, como comprova este teste com o modelo esportivo, o Passat GTS Pointer: Sua velocidade máxima de 169 km/h é a maior entre nossos esportivos, só superada, no geral, pela pesada linha Opala de seis cilindros. a aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 10.91 segundos só é inferior à marca recorde de 10,65 segundos obtida certa vez pelo Gol GTS. Em estabilidade, ele tem a melhor nota, compartilhada apenas pelo Gol GTS - mas é mais macio e silencioso. Prova de seu alto desempenho é ter ganho as duas últimas edições (86 e 87) do Campeonato Brasileiro de Marcas, o que pode se repetir este ano. Seu motor, o AP-800S (o mesmo do Gol GTS), divide a condição de melhor do Brasil, em nossa avaliação, juntamente com o AP-600 da linha Gol/Voyage/Parati, e que equipa também o Passat GL. Isso se traduz em robustez e confiabilidade mecânica. Some-se a isso o amplo espaço interno - é um dos poucos carros que temos em que se viaja razoavelmente bem atrás -, o consumo razoável (bem menos, é claro, no GL), o baixo nível de ruído, entre outras coisas, e chega-se à simples conclusão de que "é mais carro pelo seu dinheiro". E, embora seja bem mais caro que o Passat comum, o esportivo que testamos é bem mais barato que o Monza S/R e que o próprio Gol GTS. Defeitos? Sempre é possível encontrar alguns, sobretudo num carro que está sendo deixado de lado pela fábrica. Assim, o Pointer ganhou este ano um novo volante: bonito, mas a buzina fica muito exposta e é tocada sem querer. O voltímetro e o termômetro de óleo ficam no console, por cima do rádio e parcialmente encobertos pelo volante: estariam melhor no painel. No lugar do eixo traseiro rígido, também seria melhor o eixo semi-independente de barras em V, usado nas linhas Santana e Gol. E faltam detalhes de refinamento: rodas mais modernas e bonitas, como as do Gol GTS, e comandos elétricos para vidros e retrovisores. Nada que não pudesse ser facilmente corrigido: apenas sinais de discriminação contra o carro. Mas por que, afinal, a VW haveria de acabar com o Passat? Embora não admita isso oficialmente, a empresa deixa clara esta sua decisão de várias maneiras: Está muito difícil conseguir um Passat 0 km - embora, como vemos, valha a pena tentar. O modelo comum, Passat GL Village, só se consegue sob encomenda e com espera de seis meses. Nem mesmo é fácil comprar um GTS Pointer como este que testamos. A estratégia seguida há oito anos pela VW brasileira baseia-se na linha Gol/Voyage/Parati, projetada e lançada aqui - contra a vontade da matriz alemã, mas que vem tendo sucesso em nosso mercado e também no bom volume de exportações do Voyage/Fox para EUA e Canadá. Nessa estratégia não há lugar para o Passat, cuja produção teria acabado em 1985 não fosse grande contrato de exportação desse modelo firmado então com o Iraque, à base de 35 mil por ano. Para entender por que o Passat sobra nesse plano, basta comparar o Passat GL e Voyage GL: com desempenho e consumo equivalentes, o Passat oferece bem mais espaço e conforto (afinal, o Voyage é um Gol de três volumes), e ainda custa 7% menos. A vantagem é maior ainda no caso dos esportivos: o Passat GTS tem desempenho semelhante e muito mais espaço interno que o Gol GTS, mas custa muito menos. Em termos de marketing, isso não parece bom para a linha Gol/Voyage. Nosso Passat está envelhecendo em estilo. Embora ainda não pareça antiquada, a carroceria desenhada por Giugiaro para o lançamento do carro, em 1973, na Europa, já está contrariando tendências atuais muito fortes, como as frentes em cunha e a suavização dos ângulos, que melhoram a aerodinâmica. Na Europa ele já não é fabricado. Lá a VW está lançando a terceira geração desse Passat (a segunda equivale ao nosso Santana), num ambicioso projeto internacional que se estenderá pelos próximos anos. Assim, parece estranho que o avô do novo Passat alemão ainda seja produzido - só - e com o mesmo nome. Numa inversão da tendência de alguns anos atrás, os modelos hatchback, como o nosso Passat, estão fora de moda no mundo todo. Até agora só reunimos razões de marketing, que interessam mais à própria VW. E nós, como ficamos? Simplesmente lamentando que a VW brasileira esteja aos poucos matando o Passat, sem colocar nada de novo em seu lugar. As compras iraquianas têm lhe garantido esta escassa sobrevida em nosso mercado. Aliás, o Iraque acaba de renovar o contrato de compra do Passat por mais dois anos e 100 mil veículos. Mas isso, por si só, não garante que continue sendo vendido aqui. E, se a dificuldade de se encontrar um novo continuar na progressão atual, o Passat terminará como um fantasma, só na lista de preços. Depois, é convencer os iraquianos a trocá-lo pelo Fox. Estará certa a VW? Em 1982, quando a montadora suspendeu a produção da Brasília, um engenheiro de lá não se conteve: "Mataram o carro errado" (o "certo", no caso, seria o Fusca, só extinto em 1986). Tinha lá suas razóes: a Brasília oferecia, na ocasião, a mesma mecânica consagrada do Fusca, num carro muito mais espaçoso e três décadas mais moderno. E, agora, será que a Volkswagen do Brasil vai de novo matar o carro "errado"? Afinal, a anciã Kombi continua por aí, sem nada a ver com sua correspondente européia. É. Tudo indica que vão mesmo acabar com o Passat. Mas continuamos torcendo por ele. Item Avaliação Nota Desempenho Excelente. Chegou a 169 km/h e foi de 0 a 100 km/h em apenas 10,91s. 8 Consumo Regular. Potente, de câmbio curto, não pode ser muito econômico. 4 Motor O valente e durável AP-800S, um dos primeiros do ranking nacional. 7 Câmbio De alto nível: robusto, com engates facílimos e precisos. 8 Freios Eficientes, mas num esportivo mereceriam ter discos ventilados. 6 Direção Leve e muito precisa. Melhor ainda com os pneus série 60. 7 Estabilidade Excepcional, sobretudo nas curvas rápidas. Quase imbatível nesse ítem. 9 Estilo Não é desagradável, mas já tem 16 anos e contraria as tendências atuais. 6 Conforto Espaçoso, acomoda bem a todos, tanto na frente como no banco traseiro. 7 Posição de dirigir Ótima, com regulagem de altura no banco e comandos muito fáceis. 8 Instrumentos O mesmo painel do Santana, mas com termômetro de óleo e voltímetro. 7 Visibilidade Boa, mas um pouco prejudicada pela inclinação do vidro traseiro. 6 Nível de ruído Agradavelmente baixo para um esportivo, sem roncos desnecessários. 6 Porta-malas Amplo e prático, quase sem cantos. O estepe fica sob o assoalho. 7 Medições Máxima na pista (km/h reais) Média de 4 passagens 169,15 Melhor passagem 169,40 Aceleração Km/h reais Segundos Marchas 0 - 40 2,62 1ª 0 - 60 4,64 1ª / 2ª 0 - 80 7,08 1ª / 2ª / 3ª 0 - 100 10,91 1ª / 2ª / 3ª 0 - 120 15,90 1ª / 2ª / 3ª 0 - 140 24,81 1ª / 2ª / 3ª / ª Retomada Km/h reais Segundos Marchas 40 - 60 7,28 5ª 40 - 80 13,57 5ª 40 - 100 20,68 5ª 40 - 120 28,86 5ª 40 - 1000m 38,42 5ª Consumo Km/h reais Consumo em km/l Marcha usada 40 11,74 5ª 60 12,09 5ª 80 10,59 5ª 100 8,77 5ª 120 7,18 5ª 40 11,30 4ª Consumo médio - km/l Cidade 6,35 Estrada, 100 km/h, carregado 9,45 Estrada, 100 km/h, vazio 9,91 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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