Um novo Passat, em busca do velho prestígio Reportagem: Claudio Carsughi Tendo em vista os contratos de exportação para o Oriente Médio e, mais ainda, sua recuperação no mercado interno, o Passat acaba de ser submetido pela Volkswagen a uma completa cirurgia plástica. Do ponto de vista dos que o viram e examinaram durante o longo período em que esteve em nossas mãos, o resultado pareceu plenamente favorável. Do ponto de vista dos números do teste, também. Na verdade, a reforma se impunha. Aos 11 anos, a maioria dos quais passados no topo da pirâmide dos carros de sua categoria, o Passat viria no ano passado a experimentar fulminante derrocada. Até então estabilizadas em torno de 7 500 unidades por mês, suas vendas de repente caíram para menos de 500. E em janeiro e fevereiro deste ano para praticamente zero. Com razão, portanto, alastravam-se os boatos sobre a eventual paralisação de sua produção, até que um milionário contrato de exportação, firmado com o Iraque e outros países do Oriente Médio, mudaria tudo. Decidida, a partir daí, a reinvestir no carro, a fábrica conseguiu, então, rejuvenescê-lo, dotando-o sobretudo de um interior muito mais agradável. A boa impressão começa pelo novo painel, que deveria, tão cedo quanto possível, ser estendido à linha Gol/Voyage. No desenho do quadro ele é igual ao do Santana, mas recebeu finalmente um conta-giros de boas dimensões e é ligeiramente côncavo, como o dos BMW. E no console, além do voltímetro, aparece também pela primeira vez um termômetro de óleo, reivindicação que já há muito tempo vinha sendo feita por Quatro Rodas. O acabamento interno, por outro lado, chega a ser sofisticado, começando pelos bancos dianteiros Recaro, semelhantes aos do Gol GT, e o traseiro com descansa-braço central, escamoteável para eventualmente abrir espaço para um terceiro ocupante. Os pára-sóis, além do habitual espelho de cortesia do lado do passageiro, têm uma pequena bolsa para a guarda de documentos e há diversas possibilidades de combinação de cores internas e externas. Outro detalhe é que agora a mesma chave serve para abrir as portas, o porta-luvas, o porta-malas e ligar o motor, ficando a outra exclusivamente para o tanque de combustível. Na parte mecânica, com relação ao Passat 1.8 testado em setembro, foram alteradas as relações de câmbio, com exceção apenas da primeira. Todas as outras foram encurtadas, de maneira sensível até mesmo a nível de dirigibilidade. Assim, a relação da segunda passou de 1,79:1 para 1,94:1; a da terceira, de 1,13:1 para 1,29:1; a da quarta, de 0,83:1 para 0,97;1 e a da quinta, de 0,68:1 para 0,80:1, sendo essa última mudança referente ao câmbio que naquela ocasião ainda seria lançado, já que aquele Passat 1.8 tinha apenas quatro, marchas. Assim, com relações mais esportivas, o câmbio de cinco marchas do GTS Pointer não proporcionou, como era previsível, redução no consumo em relação ao 1.8 anterior. Houve, por sinal, patente equilíbrio: 10,10 contra 10,25 km/1 na estrada, a 80 km/h, carregados; 11,12 contra 10,79 km/l na estrada, vazios, e 7,00 contra 7,41 km/1 na cidade. Em contrapartida, a melhora de desempenho foi significativa. Há que se ressalvar que a comparação não é perfeita, porque os dois carros não foram testados conjuntamente. Mas ainda assim esse chegou aos 100 km/h em 12,45 segundos contra 13,39 segundos do outro, repetindo-se a mesma diferença em todas as situações de retomada. Só na velocidade final na pista de testes – e até porque o motor não mudou – alcançou os mesmos 162,896 km/h. Com pneus da série 60 em rodas de tala de 6 polegadas, a estabilidade, por outro lado, se manteve dentro de ótimo padrão, somando-se a outras boas e conhecidas características do carro, como a do acabamento geral cuidadoso e a dos freios eficientes e suaves no pedal. Item Avaliação Nota Desempenho Bom, com máxima de 162,896 km/h e aceleração 0-100 km/h em 12,45 s. 7 Consumo Nada baixo, mas adequado ao carro. Na cidade fez 7,00 km/l e na estrada entre 10,10 e 11,12 km/l. 5 Motor Moderno, aquece rápido, suporta bem elevadas rotações e fornece potência de forma progressiva. 7 Câmbio Bom conjunto, com engates precisos, relações bem escolhidas e resistente. 7 Freios Desacelerações suaves. Em emergência, espaços normais, sem alteração de trajetória. 7 Direção Não é pesada em manobras nem excessivamente leve em altas velocidades. 7 Estabilidade Tem reações bem definidas, saindo um pouco de frente no limite, com correção fácil. 8 Suspensão É firme, conseguindo um bom compromisso entre estabilidade e conforto, sem transmitir ruídos. 7 Estilo As pequenas modificações externas ajudaram um pouco, mas não se trata de solução definitiva. 6 Acabamento Bom externamente, inclusive nas junções de chapas. Internamente se nota bem mais cuidado. 7 Conforto Bom para quatro pessoas, com renovação de ar eficiente. Como opcional, ar condicionado. 7 Nível de ruído Baixo, a não ser em rotações elevadas – a 120 km/h, por exemplo, acusou 80,4 dB. 6 Posição de dirigir Boa, auxiliada pelo banco Recaro. Comandos bem posicionados. 7 Instrumentos Dispostos como no Santana, receberam finalmente um termômetro de óleo no console. 7 Porta-malas Adequado à bagagem de quatro pessoas. Bom revestimento, estepe, abaixo do assoalho. 4 Medições Máxima na pista (km/h reais) Média de 4 passagens Melhor passagem Aceleração Km/h reais Segundos Marchas 0 - 40 1ª 0 - 60 1ª / 2ª 0 - 80 1ª / 2ª 0 - 100 1ª / 2ª / 3ª 0 - 120 1ª / 2ª / 3ª 1ª / 2ª / 3ª / 4ª Retomada Km/h reais Segundos Marchas 40 - 60 5ª 40 - 80 5ª 40 - 100 5ª 40 - 120 5ª 5ª 40 - 1000m 5ª Consumo Km/h reais Consumo em km/l Marcha usada 40 5ª 60 5ª 80 5ª 100 5ª 120 5ª 40 4ª Consumo médio - km/l Cidade Estrada, 80 km/h, carregado Estrada, 80 km/h, vazio | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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