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Quatro Rodas n° 297 - abril de 1985

 

 

Um novo Passat, em busca do velho prestígio

 

 

Reportagem: Claudio Carsughi

 

Tendo em vista os contratos de exportação para o Oriente Médio e, mais ainda, sua recuperação no mercado interno, o Passat acaba de ser submetido pela Volkswagen a uma completa cirurgia plástica. Do ponto de vista dos que o viram e examinaram durante o longo período em que esteve em nossas mãos, o resultado pareceu plenamente favorável. Do ponto de vista dos números do teste, também.

 

 

Na verdade, a reforma se impunha. Aos 11 anos, a maioria dos quais passados no topo da pirâmide dos carros de sua categoria, o Passat viria no ano passado a experimentar fulminante derrocada. Até então estabilizadas em torno de 7 500 unidades por mês, suas vendas de repente caíram para menos de 500. E em janeiro e fevereiro deste ano para praticamente zero.

 

Com razão, portanto, alastravam-se os boatos sobre a eventual paralisação de sua produção, até que um milionário contrato de exportação, firmado com o Iraque e outros países do Oriente Médio, mudaria tudo. Decidida, a partir daí, a reinvestir no carro, a fábrica conseguiu, então, rejuvenescê-lo, dotando-o sobretudo de um interior muito mais agradável.

 

Simultaneamente, pelo menos para o mercado interno, deixou de ser produzido com três e quatro portas, ficando apenas a versão de duas portas, como a GTS Pointer ora testada. E essa, por sinal, bem diferenciada no preço, já que por ter de série o motor e o câmbio do Santana, entre outras coisas, custa cerca de 30% mais que a LS Village e 40% mais que a Special, as outras duas remanescentes.

 

A boa impressão começa pelo novo painel, que deveria, tão cedo quanto possível, ser estendido à linha Gol/Voyage. No desenho do quadro ele é igual ao do Santana, mas recebeu finalmente um conta-giros de boas dimensões e é ligeiramente côncavo, como o dos BMW. E no console, além do voltímetro, aparece também pela primeira vez um termômetro de óleo, reivindicação que já há muito tempo vinha sendo feita por Quatro Rodas.

 

 

O acabamento interno, por outro lado, chega a ser sofisticado, começando pelos bancos dianteiros Recaro, semelhantes aos do Gol GT, e o traseiro com descansa-braço central, escamoteável para eventualmente abrir espaço para um terceiro ocupante. Os pára-sóis, além do habitual espelho de cortesia do lado do passageiro, têm uma pequena bolsa para a guarda de documentos e há diversas possibilidades de combinação de cores internas e externas. Outro detalhe é que agora a mesma chave serve para abrir as portas, o porta-luvas, o porta-malas e ligar o motor, ficando a outra exclusivamente para o tanque de combustível.

 

Na parte mecânica, com relação ao Passat 1.8 testado em setembro, foram alteradas as relações de câmbio, com exceção apenas da primeira. Todas as outras foram encurtadas, de maneira sensível até mesmo a nível de dirigibilidade. Assim, a relação da segunda passou de 1,79:1 para 1,94:1; a da terceira, de 1,13:1 para 1,29:1; a da quarta, de 0,83:1 para 0,97;1 e a da quinta, de 0,68:1 para 0,80:1, sendo essa última mudança referente ao câmbio que naquela ocasião ainda seria lançado, já que aquele Passat 1.8 tinha apenas quatro, marchas.

 

Em outras palavras, a atual quinta ficou com relação bem próxima da antiga quarta, tendo sido redimensionadas a segunda, terceira e quarta, de forma a se tornarem mais vizinhas uma da outra. Em conseqüência, ficou um câmbio de características mais esportivas, coerente, aliás, com a denominação GTS. Já no modelo LS Village, que tem o mesmo câmbio de cinco marchas, embora acoplado ao motor 1.6, a quarta e a quinta são mais longas – 0,91:1 e 0,73:1, respectivamente –, com o claro objetivo de obter maior economia de combustível. No modelo Special, por sua vez, permanece o câmbio de quatro marchas.

 

Assim, com relações mais esportivas, o câmbio de cinco marchas do GTS Pointer não proporcionou, como era previsível, redução no consumo em relação ao 1.8 anterior. Houve, por sinal, patente equilíbrio: 10,10 contra 10,25 km/1 na estrada, a 80 km/h, carregados; 11,12 contra 10,79 km/l na estrada, vazios, e 7,00 contra 7,41 km/1 na cidade.

 

Em contrapartida, a melhora de desempenho foi significativa. Há que se ressalvar que a comparação não é perfeita, porque os dois carros não foram testados conjuntamente. Mas ainda assim esse chegou aos 100 km/h em 12,45 segundos contra 13,39 segundos do outro, repetindo-se a mesma diferença em todas as situações de retomada. Só na velocidade final na pista de testes – e até porque o motor não mudou – alcançou os mesmos 162,896 km/h.

 

Com pneus da série 60 em rodas de tala de 6 polegadas, a estabilidade, por outro lado, se manteve dentro de ótimo padrão, somando-se a outras boas e conhecidas características do carro, como a do acabamento geral cuidadoso e a dos freios eficientes e suaves no pedal.

 

 

Resultados

 

Item

Avaliação

Nota

Desempenho

Bom, com máxima de 162,896 km/h e aceleração 0-100 km/h em 12,45 s.

7

Consumo

Nada baixo, mas adequado ao carro. Na cidade fez 7,00 km/l e na estrada entre 10,10  e 11,12 km/l.

5

Motor

Moderno, aquece rápido, suporta bem elevadas rotações e fornece potência de forma progressiva.

7

Câmbio

Bom conjunto, com engates precisos, relações bem escolhidas e resistente.

7

Freios

Desacelerações suaves. Em emergência, espaços normais, sem alteração de trajetória.

7

Direção

Não é pesada em manobras nem excessivamente leve em altas velocidades.

7

Estabilidade

Tem reações bem definidas, saindo um pouco de frente no limite, com correção fácil.

8

Suspensão

É firme, conseguindo um bom compromisso entre estabilidade e conforto, sem transmitir ruídos.

7

Estilo

As pequenas modificações externas ajudaram um pouco, mas não se trata de solução definitiva.

6

Acabamento

Bom externamente, inclusive nas junções de chapas. Internamente se nota bem mais cuidado.

7

Conforto

Bom para quatro pessoas, com renovação de ar eficiente. Como opcional, ar condicionado.

7

Nível de ruído

Baixo, a não ser em rotações elevadas – a 120 km/h, por exemplo, acusou 80,4 dB.

6

Posição de dirigir

Boa, auxiliada pelo banco Recaro. Comandos bem posicionados.

7

Instrumentos

Dispostos como no Santana, receberam finalmente um termômetro de óleo no console.

7

Porta-malas

Adequado à bagagem de quatro pessoas. Bom revestimento, estepe, abaixo do assoalho.

4

 

 

Medições

 

Máxima na pista (km/h reais)

Média de 4 passagens

162,896

Melhor passagem

163,636

 

 

Aceleração

Km/h reais

Segundos

Marchas

0 - 40

2,87

0 - 60

5,36

1ª / 2ª

0 - 80

8,23

1ª / 2ª

0 - 100

12,45

1ª / 2ª / 3ª

0 - 120

18,30

1ª / 2ª / 3ª

0 - 14028,35

1ª / 2ª / 3ª / 4ª

 

 

Retomada

Km/h reais

Segundos

Marchas

40 - 60

7,42

40 - 80

14,15

40 - 100

21,13

40 - 120

29,39

40 - 14039,33

40 - 1000m

38,57

 

 

Consumo

Km/h reais

Consumo em km/l

Marcha usada

40

13,55

60

13,27

80

10,75

100

8,60

120

8,06

40

12,18

 

 

Consumo médio - km/l

Cidade

7,00

Estrada, 80 km/h, carregado

10,10

Estrada, 80 km/h, vazio

11,12

 

 

 

 

 

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