Passat LSE
O Passat LSE - Luxo Super Executivo - foi preparado pela Volkswagen com o
motor da versão TS, para a faixa dos sedãs de alto luxo. O resultado foi um
carro de boa mecânica, bom desempenho e bom acabamento geral que, no entanto,
tem diversas falhas em detalhes. São defeitos que demonstraram certo descuido
e devem ser corrigidos para que o carro se torne mais equilibrado.
Para criar esse modelo, os engenheiros da Volkswagen utilizaram um sedã LS de
quatro portas, dando melhor acabamento interno e colocando na sua frente a
grade do TS, com os quatro faróis. Como, por exemplo, ocorre com os veículos
exportados para alguns países africanos, cujos revendedores exigiram essa
modificação no Passat. Depois resolveram também utilizar o motor do TS, para
conferir um melhor desempenho ao veículo e, ao mesmo tempo, dar certa reserva
de potência, que permitisse acionar determinados acessórios como o
ar-condicionado. O resultado foi o Passat Executivo, definido pela sigla LSE,
lançado agora no mercado para enfrentar o julgamento de uma categoria de
compradores normalmente muito exigente.
Detalhes de luxo
Externamente o Passat LSE apresenta a mesma frente do Passat TS (no Brasil
construído apenas na versão de duas portas), com a grade incluindo os quatro
faróis, o que, além de proporcionar melhor iluminação, confere melhor aspecto
ao veículo. Essa grade preta de plástico moldado, com um friso cromado em
volta, tem ao centro o logotipo VW. Os pára-choques têm embutidos nas
extremidades os sinalizadores de direção e, entre eles, uma lâmina de borracha
para proteger o veículo no caso de pequenos choques. Nas laterais observa-se
apenas a colocação de um friso cromado, abaixo das portas, e na traseira o
logotipo Passat LSE, na parte inferior da tampa traseira, do lado
esquerdo. As rodas têm tala aumentada, em relação ao Passat normal, de 4,5
para 5 polegadas, e os pneus radiais também são mais largos, da série 70 como
na versão TS.
Internamente foi dada atenção especial ao banco traseiro, que recebeu dois
apoios para cabeça (o que indica claramente que, embora podendo transportar
três pessoas, prevê seu uso normal apenas para duas) e um descansa-braço, de
formato retangular, situado na parte central do encosto. Esse descansa-braço,
naturalmente, é escamoteável para permitir se necessário a acomodação de três
passageiros no banco traseiro. Se os passageiros desse banco precisarem ler à
noite, têm o conforto de duas lanternas para leitura, com luz direcional,
acionadas por meio de um botão instalado no próprio suporte.
Os bancos dianteiros com apoio de cabeça são, pelo contrário, opcionais (bem
como o ar-condicionado e a pintura metálica) e, embora segurem o corpo, fazem
lamentar a falta de um processo de inclinação contínua, como o que existe
atualmente em vários automóveis nacionais. São encostos reclináveis, mas suas
inclinação deve forçosamente obedecer aos degraus existentes na catraca, o que
muitas vezes dificulta a obtenção da posição ideal tanto para o motorista como
para seu acompanhante.
Como outros acessórios, incluídos porém no preço normal do LSE, merecem
destaque os vidros atérmicos esverdeados e o vidro traseiro com resistência
embutido. Os vidros atérmicos permitem manter no interior do carro temperatura
um pouco menor, por diminuírem a intensidade dos raios solares (constituem
normalmente equipamento obrigatório quando se instala ar-condicionado). E a
resistência embutida desembaça mais facilmente o vidro traseiro. A isso se
soma ainda o ar quente, também muito útil no desembaçamento em caso de chuva,
além de tornar mais agradável a utilização do veículo no inverno.
O painel
O painel é idêntico ao utilizado na versão TS do Passat: entre os dois
instrumentos circulares de grande diâmetro a frente do motorista - o da
direita com indicador de nível de gasolina, de temperatura da água e várias
luzes-espia, o da esquerda com velocímetro e hodômetro total e parcial -
situa-se um conta-giros que vai até 8000 rpm e apresenta, a partir de 6700 rpm,
uma faixa vermelha contínua. Isso indica o regime de rotação a não ser
superado, e o quanto é eventualmente ultrapassado em caso de emergência.
Abaixo do conta-giros situa-se o esquema de engate das marchas, com traços
brancos destacados sobre fundo preto.
Numa faixa revestida de plástico que imita madeira (inadmissível num veículo
de alto luxo), situada mais abaixo, ficam as entradas de ar, orientáveis,
algumas teclas de comando (luzes dos faróis, acionamento do vidro térmico, luz
do painel, etc.), o botão do ar quente, os cursores horizontais para
direcionar os fluxos de ar quente e frio, o acendedor de cigarros e o rádio,
com FM estéreo, que é deslocado para o console quando é instalado o
ar-condicionado, opcional. No console estão colocados mais três instrumentos:
relógio elétrico de quartzo, com ponteiro de segundos, voltímetro e manômetro
de óleo. Acima deles ficam o cinzeiro e o botão que regula a instensidade de
iluminação dos três mostradores. Tudo muito prático e ao alcance das mãos,
menos o rádio que, em sua colocação usual no painel (como em todos os modelos
de Passat desprovidos de ar-condicionado) não pode ser alcançado com o cinto
atado.
O volante tem novo desenho, comum a toda linha Passat 78, com a placa da
buzina reestilizada, apresentando logotipo Passat no lado direito e
zonas ranhuradas, em relevo, nas extremidades, indicativas do acionamento da
buzina, semelhante à da linha Audi na Alemanha. Abaixo dele, junto à coluna de
direção, as duas alavancas de comando das luzes e pisca-pisca (na esquerda) e
limpadores de pára-brisa (na direita).
O acabamento interno é unicromático preto ou castor, e a pintura externa
oferece a opção de oito cores, nas quais três (um castanho e duas tonalidades
de verde) metálicas.
A mecânica
O motor utilizado é o mais possante da linha Passat, isto é, o 1588cm3 que
equipava até aqui apenas a versão TS. Este motor, que desenvolve a potência de
96cv SAE (correspondentes a 80cv DIN) a 6100 rpm tem taxa de compressão de
7,5:1, permitindo a utilização de gasolina comum sem maiores problemas. O
aumento de potência foi obtido não apenas pelo aumento da cilindrada, que
passa de 1471cm3 das versões normais a 1588cm3, mas pela melhor alimentação
propiciada pelo carburador de corpo duplo (32/35), no lugar do de corpo
simples. Isso provocou, além do aumento de potência, também um aumento do
torque, que passou de 11,5mkgf SAE para 13,2mkgf SAE, conservando, e até mesmo
aumentando, a elasticidade do motor normal.
Por outro lado, o Passat LSE apresenta novas relações de câmbio, já comuns a
toda linha Passat, seja qual foi o modelo, e que constituem o resultado de
longos testes e experiências realizadas desde o início do ano. Essas relações,
que mantiveram inalteradas a primeira e segunda marchas, apresentam terceira
(agora 1,29:1 contra 1,37:1) e quarta (agora 0,91:1 contra as anteriores
0,97:1 dos Passat normais e 0,94:1 do TS) mais longas, contribuindo para
aumentar a economia de combustível. As novas relações foram incluídas na
produção desde os chassis de números BU-006 065 e BT-117 119 sem publicidade.
Baseando-nos neste teste, e no comparativo entre Passat, Polara e Corcel II,
as modificações foram positivas.
Os defeitos
Apresentado como o carro mais luxuoso da produção Volkswagen, o Passat LSE
apresenta alguns defeitos facilmente corrigíveis, e, por isso mesmo,
absolutamente inadmissíveis num carro que pretende atingir um público
exigente.
O carpete é solto e os tapetes acabam dobrando-se logo e estragando-se
depressa. Para dar passagem à alavanca de freio de mão foi simplesmente feito
um corte no carpete, sem qualquer arremate. A faixa de plástico imitando
madeira utilizada no painel não é perfeitamente horizontal. São pequenos
detalhes que o comprador pode facilmente perceber.
Mais grave é o acabamento deficiente de pontos que dificilmente são observados
na compra de um carro, pela maioria das pessoas. No porta-malas, por exemplo,
existe um simples tapete de borracha, fino e solto, que naturalmente deve
durar pouco. E se o comprador se der ao trabalho de retirá-lo, ficará ainda
mais surpreso com alguns detalhes: o estepe não tem gancho de fixação, ficando
solto na cavidade sob pressão por três cunhas de borracha. Mas no centro da
cavidade ainda existe o furo onde devia estar o gancho de fixação, e que agora
serve apenas para deixar entrar água e poeira no porta-malas (duas finalidades
certamente não previstas pelo projeto original do veículo). Também há quatro
furos no assoalho do porta-malas, provavelmente para eventual escoamento de
água, fechado apenas com um pedaço de fita isolante preta: nem ao menos foram
utilizados tampões de borracha, tanto na chapa inferior como na superior.
Resultado: em qualquer lavagem mais cuidadosa, com jato de água forte, o
porta-malas ficará inundado, abrindo caminho à ferrugem.
Da mesma forma, é inaceitável o acabamento das laterais do porta-malas: chapa
à vista, como num utilitário. E o alto-falante traseiro, de qualidade
medíocre, encontra-se completamente desprotegido, podendo ser danificado por
qualquer objeto pontiagudo colocado no porta-malas. Finalmente, o estojo de
ferramentas apresenta uma chave tubular e uma fixa sem ao menos uma chave de
fenda.
Como anda
O Passat LSE é um carro agradável, com razoável velocidade máxima (alcançou
156,352 km/h), aceleração condizente (fez de 0 a 100 km/h em 14.45 segundos) e
uma boa retomada (foi de 40 a 120 km/h em 31,27 segundos), sem qualquer falha
de carburação.
Quanto ao consumo, obteve o índice geral de 12,09 km/l, que consideramos bom,
face ao tamanho do veículo, podendo fazer na estrada, por volta de 80 km/h,
algo mais de 12 km/l. E quem estiver disposto a não passar dos 75 km/h, pode
contar com 13 km/l ao passo que, andando sem muita preocupação com o
velocímetro e esticando um pouco as marchas, fica-se entre 10 e 11 km/l.
Conclusão
Sem gastar quase nada, utilizando apenas componentes de produção normal a
Volkswagen conseguiu apresentar um sedã executivo que lhe permite lutar por
uma faixa de mercado até então inexplorada por ela. Este carro tem muitos
pontos positivos, a começar pelo ótimo motor e pelo câmbio agora sem mais
nenhum dos problemas inicias, mas tem um acabamento que, em pequenos detalhes,
desmerece sua imagem de versão "Executiva". Quem estiver acostumado a veículos
importados, ou mesmo aos nossos carros de luxo, não vai aceitar suas
imperfeições, levando-se também em conta seu preço, na versão normal sem
opcionais, de Cr$ 108.527.00.
Medições
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