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Quatro Rodas n° 187 - fevereiro de 1976

 

Reportagem: Claudio Carsughi

 

Passat TS 1976

 

 

 

 

Ao lançar a linha Passat no Brasil, a Volkswagen começou pelo modelo básico - o sedã de duas portas, tipo L, e aos poucos foi aumentando as opções, a exemplo do que ocorre na Alemanha, de forma a ampliar a faixa de mercado. Surgiram assim os tipos LM, LS e os sedãs de quatro portas, todos com um público bem definido.

 

Ainda faltava, entretanto, um modelo que, aproveitando os excelentes dotes de estabilidade do carro, lhe conferisse, pela utilização de um motor mais possante, características de um "gran-turismo". Esse modelo era o TS, que, devidamente adaptado às condições brasileiras, a Volkswagen apresenta agora como sua primeira novidade para 1976.

 

O Passat TS testado por Quatro Rodas é fruto de um cuidadoso trabalho de nacionalização do modelo original alemão. e, logo de início, pode-se afirmar que o trabalho teve êxito total: é um carro gostoso de guiar, com o acréscimo de potência que falta aos modelos normais. E isso não quer dizer que o caro chegou ao limite de seu desenvolvimento, pois quem se dispuser somente a utilizar gasolina azul poderá incrementar sensivelmente o motor, aumentando a taxa de compressão e modificando a carburação.

 

Para chegar a um desempenho semelhante ao do modelo alemão, que com 1500cm3 fornece 85cv DIN, foi necessário aumentar a cilindrada, pois não se poderia manter a mesma taxa de compressão (9,7:1) original, sob pena de ter eventualmente problemas de pré-ignição e auto-ignição até mesmo com o uso exclusivo de gasolina azul. Assim, fixando-se a taxa de compressão em 7,5:1, o que permite tranquilamente o uso de gasolina comum (no nosso teste não tivemos qualquer manifestação de pré-ignição ou auto-ignição), a Volkswagen decidiu aumentar a cilindrada para 1600cm3. Isto lhe deu um potência de 80cv DIN, correspondentes a 96cv SAE, e desempenho bem próximo ao do modelo alemão.

 

 

A primeira diferença entre os demais modelos Passat e o TS é encontrada na frente do carro, onde a grade de plástico moldado leva quatro faróis, tendo ao centro o logotipo VW, com um friso cromado em toda a volta externa da grade. Nas laterais o carro tem uma faixa preta com a sigla TS, que significa Touring Sport. Na traseira, a sigla Passat TS identifica também o modelo, que se distingue ainda pelos pára-choques com friso de borracha, rodas com tala aumentada para 5 polegadas e pneus mais largos, radiais, da série 70. E na parte inferior das laterais, a pintura é preta.

 

 

Internamente, as diferenças chamam mais a atenção, sobretudo no painel, onde quatro novos instrumentos foram incluídos. Assim, entre os dois instrumentos circulares de grande diâmetro que ficam bem em frente ao motorista, o da esquerda com velocímetro e odômetro (total e parcial, este último com medição em centenas de metros) e o da direita com indicador de nível de gasolina, indicador de temperatura da água e luzes de advertência, foi instalado um conta-giros, que vai até 8000 rpm, com faixa vermelha contínua a partir de 6700 rpm. Isso indica o regime de rotações a não ser superado, e o quanto eventualmente é ultrapassado em casos de emergência.

 

Para alojar os outros três instrumentos, foi instalado um pequeno e útil console central que, em sua parte mais alta tem um relógio elétrico com ponteiro de segundos, um voltímetro e um manômetro de óleo. Acima do manômetro de óleo, há um controle para regular a intensidade de luz nos três instrumentos. Logo abaixo existe uma cavidade para o alojamento de um toca-fitas e, mais abaixo, outra onde podem ser guardados pequenos objetos.

 

De resto, o painel é idêntico ao dos demais modelos Passat, com aberturas para entrada de ar nas extremidades. O rádio, de ondas médias e curtas, não tem FM, o que destoa da categoria do carro.

 

O volante, cujo diâmetro poderia ser um pouco menor (dois ou três centímetros), tem três braços em metal; no centro, fica o botão da buzina (fraca e inadequada), com as letras TS num círculo. O material imitando couro que recobre o volante é de boa qualidade, e possibilita uma "pega" firme, em qualquer condição. Abaixo do volante estão as alavancas de comando dos indicadores de direção, comutador e luzes, limpador de pára-brisa (com duas velocidades e temporizador), e lavador do pára-brisa.

 

Os banco dianteiros com apoio de cabeça são opcionais (bem como o aquecimento, o ar condicionado e a pintura metálica) e, embora segurem bem o corpo, fazem lamentar a falta de um processo de inclinação contínua. Os encostos são reclináveis, mas sua inclinação deve forçosamente obedecer aos degraus existentes na catraca, o que muitas vezes dificulta a obtenção da posição ideal, tanto para o motorista quanto para o seu acompanhante. Completando a aparência interna, existe no piso um bom carpete (o mesmo do LS), com reforço de borracha a frente dos pés do motorista.

 

 

A mecânica

 

Para obter maior desempenho, a Volkswagen introduziu modificações importantes no motor do Passat e foi obrigada mudar o critério geralmente adotado nos demais países, em função da baixa octanagem de nossa gasolina. Assim, a taxa de compressão foi elevada apenas de meio ponto, passando de 7,0:1 a 7,5:1 (em outras condições, essa taxa iria para 9,5:1 e o ganho de potência seria bem alto), ao mesmo tempo em que teve que ser aumentada a cilindrada, que passou dos 1471cm3 originais para 1588cm3. Substituindo-se o carburador de corpo simples por outro de corpo duplo (32/35), assegurou-se a melhor alimentação que se tornou necessária e o motor apresentou um sensível aumento de potência. Dos 78 cavalos originais, passou para 96, sempre ao regime máximo de 6100 rpm, enquanto o torque passou de 11,5 mkgf para 13,2 mkgf a 3200 rpm, o que permitiu conservar toda a elasticidade do motor normal. Todas essas cifras estão expressas no sistema SAE, que mede a potência do motor, sem nenhum dos acessórios indispensáveis a sua utilização normal (filtro de ar, silencioso, ventilador, etc.) e isso explica a razão pelo qual o TS alemão, com 1500cm3 e 85 cavalos, tenha melhor desempenho. É que aqueles são cavalos DIN (no mesmo sistema, o TS brasileiro tem 80 cavalos e não 96).

 

 

Paralelamente, para alcançar maior velocidade, já que agora o carro tem potência para tal, foram modificadas relações da segunda, de 2,06:1 a 1,95:1, e da quarta marcha, que de 0,97:1 passou para 0,94:1 (isto é, tornaram-se mais longas: à mesma rotação, a velocidade resultante é maior). E, completando o quadro das modificações, o Passat TS tem rodas de 5 polegadas (a tala dos demais modelos é 4,5) com pneus 175/70 SR 13. Opcionalmente, ele pode vir equipado com pneus 175/7 HR 13, garantido até 210km/h (o SR é garantido até 175/180km/h). As demais características mecânicas não foram alteradas e a estabilidade está ainda melhor com os pneus e rodas mais largos. A suspensão continua apresentando os mesmo problemas anteriores: em piso ruim, trepida e transmite uma série de vibrações ao volante e de ruídos ao interior do carro. Os faróis, bi-iodo, são bons, embora o facho baixo seja muito curto.

 

O Passat TS apresentou, em nosso teste, uma velocidade máxima de 155,844km/h, com a melhor passagem em 160km/h - isto é, cerca de 10km/h a mais que o Passat L duas portas testado em Quatro Rodas de dezembro. Embora o aumento tenha sido consistente, foi inferior a velocidade máxima anunciada pela fábrica (160km/h) e que seria lógica levando-se em conta o incremento de potência. Embora seja uma marca apreciável, é nesse ponto que uma grande elevação da taxa de compressão e um aumento do regime máximo de rotações teria feito diferença.

 

Quanto à aceleração, a melhoria com relação ao modelo normal é enorme: de 0 a 100km/h o LS duas portas levava 18,07 segundos. Com a mesma carroceria, o TS leva 13,10 segundos. E de 0 a 120km/h a diferença é ainda maior: 29,57 segundos para o LS, 19,95 segundos para o TS. Números que não precisam de qualquer comentário.

 

 

A esse melhor desempenho corresponde também uma melhoria do sistema de frenagem, em consequência dos novos pneus, mais largos. Assim, para imobilizar o TS a 80km/h, bastam cerca de 26 metros, enquanto os modelos normais necessitam de 30 ou 31. E nas demais velocidades houve também uma redução nos espaços de frenagem, sem que o carro saísse de sua trajetória original.

 

 

O consumo

 

Geralmente, numa versão de características mais esportivas, a preocupação com o consumo não é muita, sendo sacrificada em favor do desempenho. No Passat TS isso não ocorreu. Ao contrário, a maior potência disponível acabou dando uma média (sistema Quatro Rodas) de 10,97km/litro, melhor que em toda a linha Passat testada em dezembro último (na oportunidade, o LS duas portas fez 9,83 km/l), pois o acelerador pode ser calcado menos a fundo. na estrada, andando ao redor dos 95 km/h, fizemos 11,43 km/l, e dirigindo um pouco mais rápido obtivemos 10,67 km/l. Quanto ao consumo em velocidade constante, a 80km/h o Passat TS fez 12,92 km/l, gasto também inferior ao dos demais modelos Passat, e no teste, isto é, em condições extremamente severas de utilização, a marca foi de 8,14 km/l. Neste sentido, portanto, o Passat TS aprovou integralmente.

 

 

Conclusão

 

Ao lançar o modelo TS, cujo preço é de Cr$ 52.662,00 a Volkswagen foi de encontro às aspirações de uma ampla faixa de público, que desejava um carro mais potente mas conservando as demais características, sobretudo de estabilidade e frenagem do Passat normal. Pode-se afirmar que a fábrica atingiu o alvo, lançando no mercado um veículo veloz, estável e econômico, que roubará público dos demais modelos Passat e aos carros concorrentes.

 

 

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Resultados

Ruim

Regular

Bom

Ótimo

1

2

3

1

2

3

1

2

3

1

2

3

Desempenho - O aumento de cilindrada, que passou de 1471cm3 para 1588cm3, aliado a maior taxa de compressão, que de 7,0:1 foi para 7,5:1, melhoraram o desempenho. O TS alcançou 155,844 km/h (média de quatro passagens) e teve sua melhor passagem em 160 km/h.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Consumo - Alcançando uma média geral (Sistema Quatro Rodas) de 10,97 km/l, demonstrou que o aumento de potência, quando bem utilizado, pode diminuir o consumo pelo melhor rendimento térmico do motor. na estrada, sem superar os 100 km/h, faz mais de 11 km/l.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Motor - Como a curva de torque atinge seu pico na mesma rotação anterior, o motor conservou sua elasticidade. A potência obtida (96cv SAE ou 80cv DIN) é suficiente, mas pode ser facilmente aumentada com modificações que obrigariam o uso de gasolina azul.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Transmissão e câmbio - A transmissão não apresentou qualquer problema ao longo do teste, embora submetida a muito esforço. Mas o câmbio não tem engates precisos como na tradição VW e isso desagrada a muitos, embora não apresente problemas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Freios - Contando com o servo-freio como equipamento de série, o Passat TS tem também, para auxiliar a frenagem, rodas e pneus mais largos. As rodas têm tala de 5 polegadas e os pneus apresentam uma seção bem mais larga: como resultado, diminuíram os espaços de frenagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Direção - É leve e precisa, como nos demais modelos Passat mas, tratando-se de um esportivo, o volante poderia ter seu diâmetro reduzido de uns 2cm. O bom funcionamento da direção depende do perfeito balanceamento das rodas, que acusam logo o menor desequilíbrio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estabilidade - Ótima, suporta sem o menor problema o aumento de potência e de velocidade alcançadas, dando ao motorista uma sensação de total tranquilidade. É porém importante observar a correta calibragem dos pneus, de acordo com as indicações do fabricante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Suspensão - Em asfalto perfeitamente liso, a suspensão se comporta otimamente. Mas em estradas irregulares transmite desagradáveis vibrações a todo o carro e provoca barulhos diversos. Mereceria um bom reestudo por parte da fábrica, para adaptar o projeto alemão ao Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estilo - O projeto de Giorgio Giugiaro é ainda moderno e sua funcionalidade situa-o acima dos gostos pessoais. Os quatro faróis completam agradavelmente a frente, enquanto o friso lateral parece uma concessão forçada ao mau gosto de parte do público comprador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acabamento - O cuidado nos detalhes está presente também nesta versão, que constitui o modelo mais caro da linha Passat, e agrada bastante. Apenas a utilização de materiais de maior gabarito, como o couro, por exemplo, poderia melhorar a apresentação geral do carro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Conforto - Dispõe do mesmo espaço de todos os modelos Passat, amplo na frente, não tão amplo atrás, quando os bancos dianteiros estão totalmente recuados. Pela categoria do carro, os encostos deveriam ter o sistema de inclinação contínua e progressiva.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nível de ruído - Em piso bem liso, o isolamento acústico reduz bastante o nível de ruído, percebendo-se apenas a subida de giros do motor. em terreno irregular, porém, a situação muda sensivelmente e aparecem muitos barulhos, de todo tipo e origem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Posição do motorista - Razoável quanto ao alcance dos principais comandos, mas ruim para a leitura dos três mostradores do console e para alcançar o rádio. Seria conveniente um banco com encosto regulável milimetricamente, com assento mais macio, e um volante menor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Instrumentos - Mal posicionados no console, com grandes erros de velocímetro e com um conta-giros pequeno. Face à categoria do carro, seria desejável um reposicionamento de todos os instrumentos, levando-se em conta a importância de cada um no contexto do carro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Porta-malas - Tem boa capacidade de carga, mas em caso de utilização do estepe, obriga a retirar antes toda a bagagem. Para um carro de luxo, deveria ser inteiramente revestido de carpete, notadamente o encosto do banco traseiro onde aparecem até ganchos de fixação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Medições

 

 

Máxima na pista (km/h reais)

Média de 4 passagens

155,844

Melhor passagem

160,000

 

 

Aceleração

Km/h reais

Segundos

Marchas

0 - 40

3,37

0 - 60

5,67

1ª / 2ª

0 - 80

8,25

1ª / 2ª

0 - 100

13,10

1ª / 2ª / 3ª

0 - 120

19,95

1ª / 2ª / 3ª

0 - 140

33,77

1ª / 2ª / 3ª / 4ª

0 - 500m 21,85

1ª / 2ª / 3ª

0 - 1000m 35,42

1ª / 2ª / 3ª / 4ª

 

 

Retomada

Km/h reais

Segundos

Marchas

40 - 60

7,00

40 - 80

13,20

40 - 100

20,42

40 - 120

29,00

40 - 140

40,75

40 - 1000m

38,80

 

 

Consumo

Km/h reais

Consumo em km/l

Marcha usada

40

14,83

60

14,36

80

12,92

100

10,90

120

9,48

40

11,94

 

 

Consumo médio - km/l

Sistema Quatro Rodas

10,97

 

 

 

 

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