Passat TS 1976
Ao lançar a linha Passat no Brasil, a Volkswagen começou pelo
modelo básico - o sedã de duas portas, tipo L, e aos poucos foi aumentando as
opções, a exemplo do que ocorre na Alemanha, de forma a ampliar a faixa de
mercado. Surgiram assim os tipos LM, LS e os sedãs de quatro portas, todos com
um público bem definido.
Ainda faltava, entretanto, um modelo que, aproveitando os
excelentes dotes de estabilidade do carro, lhe conferisse, pela utilização de
um motor mais possante, características de um "gran-turismo". Esse modelo era
o TS, que, devidamente adaptado às condições brasileiras, a Volkswagen
apresenta agora como sua primeira novidade para 1976.
O Passat TS testado por Quatro Rodas é fruto de um cuidadoso
trabalho de nacionalização do modelo original alemão. e, logo de início,
pode-se afirmar que o trabalho teve êxito total: é um carro gostoso de guiar,
com o acréscimo de potência que falta aos modelos normais. E isso não quer
dizer que o caro chegou ao limite de seu desenvolvimento, pois quem se
dispuser somente a utilizar gasolina azul poderá incrementar sensivelmente o
motor, aumentando a taxa de compressão e modificando a carburação.
Para chegar a um desempenho semelhante ao do modelo alemão, que
com 1500cm3 fornece 85cv DIN, foi necessário aumentar a cilindrada, pois não
se poderia manter a mesma taxa de compressão (9,7:1) original, sob pena de ter
eventualmente problemas de pré-ignição e auto-ignição até mesmo com o uso
exclusivo de gasolina azul. Assim, fixando-se a taxa de compressão em 7,5:1, o
que permite tranquilamente o uso de gasolina comum (no nosso teste não tivemos
qualquer manifestação de pré-ignição ou auto-ignição), a Volkswagen decidiu
aumentar a cilindrada para 1600cm3. Isto lhe deu um potência de 80cv DIN,
correspondentes a 96cv SAE, e desempenho bem próximo ao do modelo alemão.
A primeira diferença entre os demais modelos Passat e o TS é
encontrada na frente do carro, onde a grade de plástico moldado leva quatro
faróis, tendo ao centro o logotipo VW, com um friso cromado em toda a volta
externa da grade. Nas laterais o carro tem uma faixa preta com a sigla TS, que
significa Touring Sport. Na traseira, a sigla Passat TS
identifica também o modelo, que se distingue ainda pelos pára-choques com
friso de borracha, rodas com tala aumentada para 5 polegadas e pneus mais
largos, radiais, da série 70. E na parte inferior das laterais, a pintura é
preta.
Internamente, as diferenças chamam mais a atenção, sobretudo no
painel, onde quatro novos instrumentos foram incluídos. Assim, entre os dois
instrumentos circulares de grande diâmetro que ficam bem em frente ao
motorista, o da esquerda com velocímetro e odômetro (total e parcial, este
último com medição em centenas de metros) e o da direita com indicador de
nível de gasolina, indicador de temperatura da água e luzes de advertência,
foi instalado um conta-giros, que vai até 8000 rpm, com faixa vermelha
contínua a partir de 6700 rpm. Isso indica o regime de rotações a não ser
superado, e o quanto eventualmente é ultrapassado em casos de emergência.
Para alojar os outros três instrumentos, foi instalado um
pequeno e útil console central que, em sua parte mais alta tem um relógio
elétrico com ponteiro de segundos, um voltímetro e um manômetro de óleo. Acima
do manômetro de óleo, há um controle para regular a intensidade de luz nos
três instrumentos. Logo abaixo existe uma cavidade para o alojamento de um
toca-fitas e, mais abaixo, outra onde podem ser guardados pequenos objetos.
De resto, o painel é idêntico ao dos demais modelos Passat, com
aberturas para entrada de ar nas extremidades. O rádio, de ondas médias e
curtas, não tem FM, o que destoa da categoria do carro.
O volante, cujo diâmetro poderia ser um pouco menor (dois ou
três centímetros), tem três braços em metal; no centro, fica o botão da buzina
(fraca e inadequada), com as letras TS num círculo. O material imitando
couro que recobre o volante é de boa qualidade, e possibilita uma "pega"
firme, em qualquer condição. Abaixo do volante estão as alavancas de comando
dos indicadores de direção, comutador e luzes, limpador de pára-brisa (com
duas velocidades e temporizador), e lavador do pára-brisa.
Os banco dianteiros com apoio de cabeça são opcionais (bem como
o aquecimento, o ar condicionado e a pintura metálica) e, embora segurem bem o
corpo, fazem lamentar a falta de um processo de inclinação contínua. Os
encostos são reclináveis, mas sua inclinação deve forçosamente obedecer aos
degraus existentes na catraca, o que muitas vezes dificulta a obtenção da
posição ideal, tanto para o motorista quanto para o seu acompanhante.
Completando a aparência interna, existe no piso um bom carpete (o mesmo do
LS), com reforço de borracha a frente dos pés do motorista.
A mecânica
Para obter maior desempenho, a Volkswagen introduziu
modificações importantes no motor do Passat e foi obrigada mudar o critério
geralmente adotado nos demais países, em função da baixa octanagem de nossa
gasolina. Assim, a taxa de compressão foi elevada apenas de meio ponto,
passando de 7,0:1 a 7,5:1 (em outras condições, essa taxa iria para 9,5:1 e o
ganho de potência seria bem alto), ao mesmo tempo em que teve que ser
aumentada a cilindrada, que passou dos 1471cm3 originais para 1588cm3.
Substituindo-se o carburador de corpo simples por outro de corpo duplo
(32/35), assegurou-se a melhor alimentação que se tornou necessária e o motor
apresentou um sensível aumento de potência. Dos 78 cavalos originais, passou
para 96, sempre ao regime máximo de 6100 rpm, enquanto o torque passou de 11,5
mkgf para 13,2 mkgf a 3200 rpm, o que permitiu conservar toda a elasticidade
do motor normal. Todas essas cifras estão expressas no sistema SAE, que mede a
potência do motor, sem nenhum dos acessórios indispensáveis a sua utilização
normal (filtro de ar, silencioso, ventilador, etc.) e isso explica a razão
pelo qual o TS alemão, com 1500cm3 e 85 cavalos, tenha melhor desempenho. É
que aqueles são cavalos DIN (no mesmo sistema, o TS brasileiro tem 80 cavalos
e não 96).
Paralelamente, para alcançar maior velocidade, já que agora o
carro tem potência para tal, foram modificadas relações da segunda, de 2,06:1
a 1,95:1, e da quarta marcha, que de 0,97:1 passou para 0,94:1 (isto é,
tornaram-se mais longas: à mesma rotação, a velocidade resultante é maior). E,
completando o quadro das modificações, o Passat TS tem rodas de 5 polegadas (a
tala dos demais modelos é 4,5) com pneus 175/70 SR 13. Opcionalmente, ele pode
vir equipado com pneus 175/7 HR 13, garantido até 210km/h (o SR é garantido
até 175/180km/h). As demais características mecânicas não foram alteradas e a
estabilidade está ainda melhor com os pneus e rodas mais largos. A suspensão
continua apresentando os mesmo problemas anteriores: em piso ruim, trepida e
transmite uma série de vibrações ao volante e de ruídos ao interior do carro.
Os faróis, bi-iodo, são bons, embora o facho baixo seja muito curto.
O Passat TS apresentou, em nosso teste, uma velocidade máxima
de 155,844km/h, com a melhor passagem em 160km/h - isto é, cerca de 10km/h a
mais que o Passat L duas portas testado em Quatro Rodas de dezembro. Embora o
aumento tenha sido consistente, foi inferior a velocidade máxima anunciada
pela fábrica (160km/h) e que seria lógica levando-se em conta o incremento de
potência. Embora seja uma marca apreciável, é nesse ponto que uma grande
elevação da taxa de compressão e um aumento do regime máximo de rotações teria
feito diferença.
Quanto à aceleração, a melhoria com relação ao modelo normal é
enorme: de 0 a 100km/h o LS duas portas levava 18,07 segundos. Com a mesma
carroceria, o TS leva 13,10 segundos. E de 0 a 120km/h a diferença é ainda
maior: 29,57 segundos para o LS, 19,95 segundos para o TS. Números que não
precisam de qualquer comentário.
A esse melhor desempenho corresponde também uma melhoria do
sistema de frenagem, em consequência dos novos pneus, mais largos. Assim, para
imobilizar o TS a 80km/h, bastam cerca de 26 metros, enquanto os modelos
normais necessitam de 30 ou 31. E nas demais velocidades houve também uma
redução nos espaços de frenagem, sem que o carro saísse de sua trajetória
original.
O consumo
Geralmente, numa versão de características mais esportivas, a
preocupação com o consumo não é muita, sendo sacrificada em favor do
desempenho. No Passat TS isso não ocorreu. Ao contrário, a maior potência
disponível acabou dando uma média (sistema Quatro Rodas) de 10,97km/litro,
melhor que em toda a linha Passat testada em dezembro último (na oportunidade,
o LS duas portas fez 9,83 km/l), pois o acelerador pode ser calcado menos a
fundo. na estrada, andando ao redor dos 95 km/h, fizemos 11,43 km/l, e
dirigindo um pouco mais rápido obtivemos 10,67 km/l. Quanto ao consumo em
velocidade constante, a 80km/h o Passat TS fez 12,92 km/l, gasto também
inferior ao dos demais modelos Passat, e no teste, isto é, em condições
extremamente severas de utilização, a marca foi de 8,14 km/l. Neste sentido,
portanto, o Passat TS aprovou integralmente.
Conclusão
Ao lançar o modelo TS, cujo preço é de Cr$ 52.662,00 a
Volkswagen foi de encontro às aspirações de uma ampla faixa de público, que
desejava um carro mais potente mas conservando as demais características,
sobretudo de estabilidade e frenagem do Passat normal. Pode-se afirmar que a
fábrica atingiu o alvo, lançando no mercado um veículo veloz, estável e
econômico, que roubará público dos demais modelos Passat e aos carros
concorrentes. Clique nas fotos para ampliar
Medições
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