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Auto Esporte n° 157 - novembro de 1977

 

 

Passat LSE - 1978

 

 

Desde o seu lançamento no Brasil, em 1974, o Volkswagen Passat vem conquistando uma faixa de mercado cada vez maior, principalmente pela sua economia, tecnologia avançada e estilo.

 


O público está exigindo melhor aproveitamento de espaço interno, tamanho exterior compacto, economia e acabamento mais sofisticado. Está aprendendo a avaliar melhor o produto, induzindo as indústrias a novos lançamentos mais condizentes com a atualidade econômica do País. E, mesmo que tenham que pagar mais por isto, faixas crescentes de compradores preferem carros menores com acabamento de luxo. A prova está aí, com o Passat LS Executivo, Corcel II LDO, Chevette LS e Fiat GL, todos lançamentos novos.


Com maior requinte do que um Passat de luxo e desempenho do TS, o LSE oferece quase tudo com que palpita o coração do automobilista: desempenho esportivo (0 a 100 km/h em 12,3 segundos), vidros ray-ban, bancos de encostos reclináveis com apoios para a cabeça (na frente e atrás), console central com vários instrumentos suplementares, ar condicionado opcional integrado no painel (o único deste tipo no Brasil), ar quente, rádio AM/ FM estéreo, desembaçador do vidro traseiro etc.


Quase tudo no carro é de boa qualidade, ao preço de Cr$ 108.527,00, mais Cr$ 12.443,00 pelo ar condicionado e Cr$ 2.379,00 pela opção de pintura metálica.

 

 

 

 

O LSE em detalhes

 

Sem alteração marcante por fora, a não ser os pára-choques revestidos por uma lâmina protetora de borracha, quatro faróis com lâmpadas halogêneas, um friso lateral preto fosco abaixo das portas e o logotipo Passat LSE - localizado no lado esquerdo da tampa traseira - este sedã de quatro portas poderia ser tachado de extremamente discreto.

 

 

Os vidros levemente coloridos de verde diminuem a intensidade dos raios solares, proporcionando mais conforto e maior retenção do ar frio gerado pelo ar condicionado. Visando ainda ao conforto dos passageiros, o Passat LSE possui aquecimento interno para torná-lo mais agradável no inverno. O desembaçador do vidro traseiro funciona através de filamentos capilares horizontais embutidos, tipo resistência elétrica que, quando ligados aquecem o vidro, eliminando o embaçamento.


O painel de instrumentos, com decoração imitando madeira, e o console central com relógio de horas, de quartzo, incluindo o ponteiro de segundos, amperímetro e manômetro de óleo, são idênticos ao Passat TS, merecendo destaque alguns detalhes: a iluminação dos instrumentos do console, por exemplo, tem graduação independente por reostato. Fora isso os instrumentos possuem ainda uma espécie de duplicação, ou garantia, através das luzes-espia da pressão de óleo e da carga da bateria no painel principal.

 


Mas se isto é muito bom, o rádio OM/FM/OC estéreo, também instalado no console, não corresponde às expectativas. Nem tanto pelo rádio, que a Volkswagen anuncia como sendo o de maior potência (18 watts) entre os auto-rádios nacionais, mas pelos alto-falantes. São apenas dois (um estava defeituoso durante o teste), um no painel e outro no porta-objetos abaixo do vidro traseiro, não são suficientes para uma boa reprodução de som estereofônico em Freqüência Modulada.


No encosto do banco traseiro, dois apoios para cabeça dão mais conforto para os ocupantes. Além disso, foi criado um descansa-braço central, escamoteável, que, enquanto proporciona grande conforto e bem-estar, limita, ao mesmo tempo, o banco traseiro para duas pessoas apenas que, desejando ler, encontrarão duas lanternas com luz direcional e individual nos cantos superiores do teto. No entanto, é incompreensível a ausência de luzes de cortesia nas portas traseiras.

 


Quanto ao acabamento interno do Passat Executivo, ainda é preciso destacar as três alças de apoio ancoradas no teto, o estofamento unicromático em veludo preto ou marrom castor, combinando com as cores externas, o novo revestimento das portas e laterais (solda eletrônica) e o acréscimo de uma faixa em carpete que acompanha a parte inferior das portas. Tudo isso com bom nível de qualidade e acabamento, onde, infelizmente, incomodam dois detalhes mal projetados.

 

Em primeiro lugar, é preciso ter braços anormalmente longos para se usufruir dos apoios colocados nas portas. Em segundo lugar, aparece como ponto negativo o compromisso técnico encontrado para alterar o mecanismo do encosto dos bancos dianteiros, feito nos modelos Passat de 2 e 3 portas, que por motivos de racionalização, provavelmente, acabaram incorporados também ao Executivo de quatro portas que testamos.


Acontece que, para possibilitar maior ângulo de dobramento nas versões de 2 ou 3 portas, facilitando o acesso ao banco traseiro, a engenharia da fábrica diminuiu a curvatura da face frontal dos encostos dianteiros, na região inferior de contato com o assento. Na prática, isto resultou em desconforto e em menos apoio na região dos rins, cansando facilmente o motorista e acompanhante.


Um visível retrocesso em conforto, numa época em que a concorrência está cada vez mais competitiva. A regulagem da inclinação dos encostos também é deficiente, podendo ser regulada apenas por uma alavanca, de ação descontínua, comparada aos modernos sistemas de regulagem micrométrica.

 

 

Mecânica e desempenho

 

A superioridade do Passat se evidencia, entretanto, na elaboração de seus componentes mecânicos. Ainda incorpora com exclusividade soluções da mais moderna engenharia automobilística, como o duplo circuito de freio, em diagonal, e o sistema da suspensão dianteira com o raio negativo de rolagem, que auto-estabiliza o veículo, mesmo na emergência do estouro de um dos pneus dianteiros.


Além disso, outra grande vantagem do Volkswagen Passat, em relação à concorrência, está no seu desempenho. O LSE, por exemplo, com o peso de 860 kg e o motor de 1,6 litros do TS (96cv SAE a 6.100 rpm), tem uma relação de peso/potência de 9,0kg/cv. Ele acelera de 0 a 80 km/h em 7,5 segundos (c/ar condicionado 8,2 seg.); de 0 a 100 km/h em 12,3 segundos (c/ ar condicionado 13,8 seg.). A elasticidade e resposta do motor também são muito boas em retomadas de velocidade e em ultrapassagem. O quilômetro de arrancada é coberto em apenas 35,2 seg. (c/ar condicionado 36,3 seg.).

 


É um prazer dirigir este automóvel, com sua resposta rápida, direção leve e muito precisa. Sua estabilidade, reforçada no modelo Executivo por pneus mais largos, da série 70 (175 SR 13 e/ou HR 13), é excelente. Neutra, sem sofrer influências de ondulações ou ventos laterais, anima o condutor a enfrentar qualquer curva em aceleração muito maior do do que ousaria com outros carros da mesma categoria.


O Passat inclina pouco nas curvas, transmitindo sensação de segurança muito grande, sem perder o conforto. O servo-freio funciona muito bem, permitindo boa dosagem em qualquer circunstância, evitando desviar o carro da trajetória. A excelência deste conjunto motor / suspensão / freios é o grande responsável pelo sucesso do carro nas corridas de Turismo de Série, classe A.


Quanto à velocidade máxima, é capaz de atingir 158,7 quilômetros por hora e o único senão que encontramos no carro testado, foi uma falha na regulagem de marcha lenta do motor, que ora "morria", ora se mantinha acelerado entre 1.500 e 2.500 rpm em ponto morto. O ruído forte transmitido pelas rodas através da suspensão à carroceria, quando em piso irregular, é ainda um outro detalhe ao qual todo proprietário de Passat deve se acostumar, até a fábrica conseguir maiores progressos neste campo.


No consumo médio cidade/subúrbio, o usuário paga mais pelo desempenho do motor de 1.600 cm3, do que num Passat comum. Obtivemos, com o Executivo, a média de 8,539 km/litro usando o ar condicionado. Sem ar condicionado, chegamos a 9,043 km/litro, numa diferença de 5,57%, que, em tráfego intenso caiu para 8,493, sem ar, e para 7,983, com ar condicionado (6 por cento de perda). Nas estradas, a velocidades constantes, o consumo é obviamente melhor. A 80 km/h reais, marcamos 14,5 km/litro e a médias mais elevadas (em torno de 110 km/h) supera fácil os 11 km/litro.

 

Conclusão

 

Obviamente, o Passat LSE reúne condições e virtudes que o colocam entre os automóveis de alto padrão, pelo seu ótimo desempenho e pelo seu acabamento e decoração, mas que, nem por isso, deixa de ser apenas um simples carro de luxo de porte médio com 4 a 5 lugares e 4 portas. Se compararmos este Executivo ao seu correspondente europeu, chamado singelamente de Passat LX, notaremos que ainda faltam alguns detalhes que justificariam melhor o nome e o preço cobrado no Brasil. Entre eles, cintos de segurança recolhidos automaticamente por bobinas de inércia, quando não em uso; decoração externa mais requintada incluindo frisos com molduras de plástico, protegendo laterais e portas, e ainda opções como um espelho retrovisor externo de controle remoto, ou rádio/toca-fitas com melhor som estereofônico. E, para a vaidade do consumidor brasileiro, seriam ainda desejáveis alterações visuais mais marcantes que justificassem melhor o Passat Executivo como modelo independente.

 

Agora, o que não poderia ocorrer são falhas como a posição sacrificada do motorista, pelo desenho dos encostos reclináveis e sua regulagem pouco prática.


Finalmente, vale lembrar que o nível de ruído do escapamento é um pouco alto para a categoria do carro. O coletor de descarga duplo utilizado no TS, bastante adequado para uma versão esportiva tanto em sonoridade como em desempenho, pode incomodar alguns dos exigentes usuários do LSE. A solução, para não se perder a excelente performance do automóvel, seria um melhor isolamento acústico do cofre do motor, principalmente na parede de fogo e na face interna do capô.
 

 

Pontos a favor:

1- Desempenho

2- Freios

3- Estabilidade

4- Ar condicionado
 

Pontos contra:

1- Encostos dianteiros

2- Alto-falantes

3- Ruído do motor

4- Luzes de cortesia

 

 

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